7. set, 2021

7 Setembro - Camilo Pessanha

Hoje em Coimbra em 1867 nascia o poeta Camilo de Almeida Pessanha. É considerado o expoente máximo do simbolismo em língua portuguesa, além de antecipador do princípio modernista da fragmentação. Os seus versos evocam paisagens em ruínas, a passagem do tempo, onde presente e futuro de decadência e aniquilação se contrapõem ao paraíso perdido da infância e ao esplendor de Portugal de outros tempos. O tema do exílio e da nostalgia encontra expressão na saudade de viajar, como metáfora. Este núcleo temático exprime-se em versos particularmente apurados, do ponto de vista da escolha dos fonemas e das opções métricas e retóricas.

Queda

O meu coração desce,
Um balão apagado.

Melhor fora que ardesse
Nas trevas incendiado.

Na bruma fastidienta...
Como á cova um caixão.

Porque antes não rebenta
Rubro, numa explosão?

Que apego inda o sustem?
Atono, miserando.

Que o esmagasse o trem
De um comboio arquejando.

O inane, vil despojo.
Ó alma egoísta e fraca...

Trouxesse-o o mar de rojo.
Levasse-o na ressaca.

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